- Era era de uma satisfação fantástica!
Um senhor claro de chapéu e colares reluzentes derretia feliz no mormaço da arquibancada dando lances e mais lances para adquirir o corpulento gado marrom, enquanto um outro de camisa listrada, surrada e aberta, com barba rarefeita, satisfazia a vontade do neto de subir na monumental caminhonete cinza. Indiferentes às máquinas e ao gado, três jovens ecléticos que já tinham curtido os shows da banda de “rock” NX Zero e dos sertanejos Victor e Léo, artistas mais caros dos respectivos gêneros musicais, diziam que naquele dia queriam é “pegar”. Uma criança, ansiosa pela roda gigante, se esforçava em chamar a atenção da mãe, absorta em modelos de bolsas de couro; enquanto o pai, à parte, atirava no latão de lixo a quinta lata de cerveja da tarde, antes de ser acolhido pela bela atendente de cabelos louros, no estande de carros novos.
A atendente era uma das várias beldades que, como as réplicas gigantes de produtos patrocinadores instalados o mais alto possível como totens dos nossos dias, funcionavam como chamariz para o consumo. As opções eram inúmeras (cento e cinqüenta pontos de alimentação; teatro, música, parque de diversão, circo, rodeio; automóveis, maquinário agrícola, fazendinha, decoração, móveis; batas, saris, túnicas e lenços – estes vindos diretamente dos caminhos da Índia; infinitos serviços e promoções, etc.). Tudo gira em torno do consumo, é claro, e nada mais justo! Afinal, quanto maior o lucro, mais dinheiro terão os empresários, que contratarão mais, melhorarão a renda dos empregados, que, por sua vez, poderão abrir seus próprios negócios, gerarem mais empregos, pagarem mais impostos e, assim, incentivar o governo a investir mais em festas com esta. Um caminho lógico.
A atendente era uma das várias beldades que, como as réplicas gigantes de produtos patrocinadores instalados o mais alto possível como totens dos nossos dias, funcionavam como chamariz para o consumo. As opções eram inúmeras (cento e cinqüenta pontos de alimentação; teatro, música, parque de diversão, circo, rodeio; automóveis, maquinário agrícola, fazendinha, decoração, móveis; batas, saris, túnicas e lenços – estes vindos diretamente dos caminhos da Índia; infinitos serviços e promoções, etc.). Tudo gira em torno do consumo, é claro, e nada mais justo! Afinal, quanto maior o lucro, mais dinheiro terão os empresários, que contratarão mais, melhorarão a renda dos empregados, que, por sua vez, poderão abrir seus próprios negócios, gerarem mais empregos, pagarem mais impostos e, assim, incentivar o governo a investir mais em festas com esta. Um caminho lógico.
- Uma festa bem sucedida!
A 49ª edição da Expo-Londrina reuniu cerca de 430 mil pessoas nos onze dias, onze por cento a mais que no ano passado. Desmoralizando o discurso de que a crise pegou, a movimentação global de dinheiro do evento foi de aproximadamente R$190 milhões, sete milhões a mais que em 2008! Só os leilões movimentaram cerca de R$ 20 milhões! Progresso: nossa região norte é um prodígio!!!
Curiosamente, num canto tosco e quase invisível, à margem da eletricidade milionária que anima progressivamente os festejos e a economia há quarenta e nove anos, contrasta, Carmem. A coluna curvada sustenta o peso de se viver vagando de latão em latão de lixo, carregando restos metálicos amassados num saco plástico negro que exala chorume nas narinas e nas roupas imundas; à semelhança da imundice de suor e terra na velha face rasgada por traços alheios ao Botox; resultantes de toda a existência dolorosa de alguem que, mesmo sendo há anos o rato que subsiste no chão de fábrica de toda a estrutura, conseguia transmitir simpatia.
A 49ª edição da Expo-Londrina reuniu cerca de 430 mil pessoas nos onze dias, onze por cento a mais que no ano passado. Desmoralizando o discurso de que a crise pegou, a movimentação global de dinheiro do evento foi de aproximadamente R$190 milhões, sete milhões a mais que em 2008! Só os leilões movimentaram cerca de R$ 20 milhões! Progresso: nossa região norte é um prodígio!!!
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Curiosamente, num canto tosco e quase invisível, à margem da eletricidade milionária que anima progressivamente os festejos e a economia há quarenta e nove anos, contrasta, Carmem. A coluna curvada sustenta o peso de se viver vagando de latão em latão de lixo, carregando restos metálicos amassados num saco plástico negro que exala chorume nas narinas e nas roupas imundas; à semelhança da imundice de suor e terra na velha face rasgada por traços alheios ao Botox; resultantes de toda a existência dolorosa de alguem que, mesmo sendo há anos o rato que subsiste no chão de fábrica de toda a estrutura, conseguia transmitir simpatia.

Vivemos dentro de um sistema, um toma a cerveja outro vende a lata e faz dinheiro. Mas, sei que num é baseado nessa imensa roda gigante capitalista que calçou seu texto. Acho muito interessante essa abstração dos fatos contínua. Quem tropeça por um observador desses nem imagina que esta mais que olhando. Sei como é andar fazendo recortes e análises.
ResponderExcluirCássio, adorei!!
Em grandes festas como está sub-existem milhares de "Carmens" onde se encontra a real face de uma sociedade desprovida de oportunidades ceifadas por uma política publica de interesses, "poderia listar inúmeras praticas". A uma obvia necessidade de pontuar os efeitos porém é preciso com exemplos de cidadania agir na causa. abço.
ResponderExcluirObrigado pelo comentário e observações. Concordo que deve-se agir na causa... mas qual seria ela?...
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirQuando eu vou a um lugar cheio de gostosas iguais a este me sinto mais cabaço. Porra, por que existem aquelas Perfeitinhas da Estrela se eu não pego? Mas depois dá para descascar legal...
ResponderExcluirAbraços.
O mal uso do voto é um exemplo clássico, má qualidade na educação , desigualdade, etc...é uma lista extensa, mas o que eu chamaria atenção é no próprio conceito de cidadania em uma nação egoísta impulsionada pelo capitalismo desregrado. Temos também que fazer nossa parte.
ResponderExcluir****: kkk
ResponderExcluirAnônimo: Li que MV Bill poderá se candidatar a senador. É um cara batalhador, que luta pelas favelas, sua origem. Um voto legal para quem mora em Sampa. Mas o que aconteceria se fosse eleito? Ou seria seduzido pelo poder ou cairia na vala da omissão. Essa é a realidade. Acredito nesses valores que cita, companheiro Anônimo, mas com um sentimento melancólico de Utopia, que motiva a lutar e alimenta a... Esperança. Melancolicamente. Cidadania e Política são dois termos diferentes que, à romana e à grega, significam a mesma coisa. Da minha parte, tento agir “concretamente” para melhorar essa realidade triste de “Carmens”, mas, de pancada em pancada, você descobre que a conjuntura política e/ou cidadã do mundo é resultado da própria (pouca) evolução do ser humano – muito mais complexo e profundo do que esses conceitos. Pra mim, talves essa seria a causa. Daí você sente que pode se educar, se conscientizar e compartihar, como tento fazer através do exercício da minha profissão, que abrange esse singelo texto sobre a Expo-Londrina. Posso fazer o mesmo com meus filhos, discutindo com amigos, acreditando... Mas, com mais pancadas, você descobre que, na verdade, pode-se ajudar muito pouco o outro; que é principalmente o outro que precisa evoluir pelos próprios méritos. Senão, não haveria sentido a existência... E que o processo é lento... lento... lento... Enfim, a questão é muito mais funda e cai naqueles buracos negros que a limitação humana não consegue responder... Sobre a causa, diria eu, fé, esperança e Utopia!
ResponderExcluirAcompanhou o bate-boca entre os ministros do supremo Joaquin barbosa e Gilmar mendes??? Gilmar mendes já havia provado o que vale no desfecho da operação satiagraha. mandem esse senhor para o corredor da morte, ele é o que de pior existe, um dia ainda acaba com no país.
ResponderExcluirhaha
ResponderExcluirobrigada! =)
Só lembrando que www.novocaos.com é o meu novo blogue.
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