sábado, 14 de março de 2009

Hermético

Poeta,

Até aonde vai a linha alinhavada logo ali? A minha vista avista curva no horizonte até sumir. Até aonde vai a letra que explica o que é que há? A prosa passa, o ponto pára e questão ainda está. Lá. Lá no além. Lá no além do além daqui. Logo ali.

O fato é. Eu sou. Metafísico. Hermético. Cético. Claricelispéctico (...).Tento entender e entendo porque penso que entendo. (Logo existo). Eu conjugo, tu conjugas, nós conjugamos e assim por inadiante... Entender é conjugar o verbo conjugar. Eu não entendo nada de nada. Caetano diz que é você:

- Diga lá
- Lá
- E aí?
- Aqui? Chove forte e é de baixo pra cima (Einstein diz que pode ser...)

- É? E daí?
- “Eu quero ir embora, quero dar o fora...”
- Ah é?
- ...
- Taí ainda?
- Sim, to. E Sinto... Sinto e se sinto logo sou: sucinto calafrio horripilado com toda família. Pai do povo, mãe do páqui, plebe pobre, podre poder...

E me disseram que sou hermético. Veja só, isto é, quem? Eu hermético? Sou. Cético. Claricelispéctico. (Neologismos nem sempre agradam...). Dinheiro agrada e agora. Nos bolsos do patrão e nas bolsas da platéia. Público pedinte. Aplausos. Público gestante. Família. Sem forma tributária-previdenciária. Enforma Agrária? Política. Conta bancária. Familhõe$, Família, Familinha. A linha.

O discurso segue a linha, segura os pontos, amarra as pontas até que as jarbas vasconcelam e a reta (seta) certa segue cega, curva e quebra em nova linha. Uma linha. Várias linhas. Milhares de linhas e mais linhas alinhadas, desalinhando emaranhados, e eu entendendo entediado que não entendo. Nada. Ideologismos e neologismos nem sempre agradam. (ou funcionam...).

Já o fato, é. Fato é fato. Nada além. Aqui e aquém. Bem, me conte um fato que desvendo sua linha. Fato é fato mente é meta. Ou seja. Física. É.
Eu sou. Hermético, cético, claricelispéctico, enfim.

Meu jovem coração/Renascido da dor e da frustração me lembra/que palavras são palavras/ Importantes são as ações...” (Devaneios) “e se você não está entendendo/ Não se preocupe/ Este poema é meu/E me reservei o prazer de externá-lo” . Poeta é João Vieira Júnior.

2 comentários:

  1. Acho que entender seja conjugar o verbo roubar.
    Gostei de sua brincadeira com aliterações.
    Concordo com você, as pessoas já baniram de suas mentes estúpidas o prefixo neo.

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  2. Verdade. Mesmo não existindo originalidade plena, nossos "gênios" poderiam ou esconder melhor a fonte (rsrs) ou deixar de repetir feito papagaio os cliches da tv.

    Foi bem uma brincadeira mesmo...

    Valeu.

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