Apesar desse ser o primeiro ponto de embarque da linha Rolandia/Apucarana, ao deixar o Terminal, dezenove pessoas já estavam de pé (estratégicamente, o modelo daquele o ônibus oferece menor número de bancos que o convencional, visto que o espaço fica maior e, consequentemente, cabe mais gente no conforto dos corredores em dias de lotação)!
Correndo
A cada ponto, mais pessoas se espremendo. Antes da primeira descida de passageiros, havia quase 40 de pé! O dia estava frio e o calor humano era até bom para aquecer os ossos (seria diferente às seis horas da tarde, depois de um longo e suado dia de trabalho...). Mas estava agradável e as pessoas, já acordadas, conversavam.
Todo tipo de gente
Nos últimos bancos (aqueles quatro alinhados onde geralmente ficam os que gostam de bagunça) havia uma mulher com dois filhos que não paravam de berrar. Era até legal a alegria deles. Um, tinha cerca de 5 anos, o outro, uns 8. Certo momento, entretanto, o menorzinho começou a entoar um indiscreto refrão musical : “Vou pro Bailão pra curar o meu tesão”, dizia!
Palavrão
Atenção no fundão! Cinco anos, como pode?! Uns olhavam com gravidade na feição, à mãe sorridente. Outros, achavam engraçado o entusiamo da criança declamando versos de tamanha erudição. "Daqui a quinze, vinte anos, a criança vai ficar ainda mais engraçadinha", bradou o Destino, irônico, que também sorria no fundo do ônibus.
Primeira descida.
No primeiro ponto depois do pedágio, os primeiros passageiros começaram a descer. Umas cinco pessoas galgaram os três degraus do veículo e tomaram a pista, entre elas, a dedicada mãe e seus filhos. Um senhor que estava no banco ao lado daquela família percebeu que tinham esquecido uma toalha e vociferou à mãe para pegá-lo. Ela agradeceu sorrindo e partiu com a prole.
No primeiro ponto depois do pedágio, os primeiros passageiros começaram a descer. Umas cinco pessoas galgaram os três degraus do veículo e tomaram a pista, entre elas, a dedicada mãe e seus filhos. Um senhor que estava no banco ao lado daquela família percebeu que tinham esquecido uma toalha e vociferou à mãe para pegá-lo. Ela agradeceu sorrindo e partiu com a prole.
O crime
Assim que a porta do ônibus foi fechada, aquele senhor começou a reclamar. Rubor e salivas armavam um semblente de revolta. Praguejava contra aquela mulher forte, saudável, capaz, trabalhadora em potencial: a mãe que acabara de descer. Denunciava ao vento que, todos os dias, ela saia de Rolândia, onde mora, para percorrer a região com as crianças. Tirava seu sustento da esmola que obrigava os filhos e pedir durante todo o dia.
As gargalhadas póstumas da mulher ecoavam sombriamente no amarelinho. Percebendo que não se tratava de um folhetim global, senhoras e senhores espectadores se curvaram, inertes, em direção ao próprio umbigo.
